O MARTÍRIO DO ARTISTA
Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
em forma de elipse
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!
fontais, cerebrais
Tarda-lhe a Ideia! A Inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!
Tenta chorar e os olhos sente enxutos!...
É como o paralítico que, à míngua
Da própria voz e na que ardente o lavra
Febre de em vão falar*, com os dedos brutos,
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem à boca uma palavra!
(Augusto do Anjos)
* Versos 10-12 – entenda: É como o paralítico que, à míngua (=à falta) da própria voz e na febre ardente (=desejo intenso) de falar que o lavra (=corrói, desgasta) em vão (inutilmente).
QUESTÃO
O tema desenvolvido no poema transcrito é
a) a rebeldia do artista.
b) a incompreensão do público.
c) incapacidade de expressão.
d) a violência que sustenta a criação artística.
e) o nervosismo do artista diante de sua obra.
GABARITO
É o que se depreende da leitura do segundo quarteto, principalmente.
Resposta: C
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