Interpretação de poema contemporâneo para ensino médio - Literatura negra de periferia - Problematização da situação social


Habilidades BNCC: EM13LP49 - EM13LP52 - EM13LP06 - EM13LP02

Esta atividade foi estruturada com base nas diretrizes da BNCC do Ensino Médio (Língua Portuguesa), integrando leitura crítica, análise linguística e valorização da literatura afro-brasileira e periférica.

As principais habilidades desenvolvidas são:

EM13LP49: Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana nos romances etc.), para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.  

EM13LP52: Analisar obras significativas da literatura brasileira e de outros países e povos, em especial a afro-brasileira, indígena e de língua portuguesa, fundamentando-se em diretrizes estéticas e linguísticas e em contextos de produção, circulação e recepção.

EM13LP06: Analisar os efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos expressivos (metáforas, metonímias, sinestesias, personificações, jogos de palavras, imagens etc.) em textos literários e de outras manifestações artísticas.

EM13LP02: Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo elementos coesivos e dados da realidade que funcionam como argumentos para sustentar tomadas de posição.

O poema abaixo faz parte da obra Acorde um verso do escritor e arte-educador Michel Yakini, o qual atua em movimentos que promovem a arte na periferia de São Paulo.

Em Acorde um verso, todas as poesias fazem jus ao título. Trata-se de boa literatura negra, que explode em sentidos, que penetra em nossa alma humana, oferecendo um verdadeiro despertar. É Poesia que transcende, que nos tira da comodidade do lugar comum.

ATIVIDADE PARA PROPOR AO ALUNO
Gabarito no final!

Leia o texto e responda às questões. 

Mapas de asfalto

há tempos que o céu
das beiradas
acorda cinzento

as pedras ficam intactas
endurecendo vidas
pelas esquinas

a esperança passa
como ventania
pelas ladeiras

e o asfalto grita
denunciando
mentiras vencidas

são heranças de uma
cidade açoitada
em silêncio

nos mocambos de hoje
germina a resistência
do amanhã

em cada quintal
um trançado
autoestima se firma

no olhar da mulecada
vejo uma trilha
sedenta de história

é batuque,
rodeando as intenções,
cravando horizontes

grafitando nos
muros, poemas
da nossa virada

declamando ação,
sacudindo vozes

e na espreita das ruas
ecoam as rimas
num versar ritmado de redenção!

YAKINI, Michel. Acorde um verso. São Paulo: Elo da Corrente, 2012. p. 22-23.

ENTRE para o grupo!

1. Qual é o contexto descrito nas primeiras cinco estrofes do poema? O que o autor pretende dizer com as expressões "beiradas" e "céu cinzento"? 

2. Podemos afirmar que houve mudança na perspectiva nos versos abaixo? Por quê? Explique-os com suas próprias palavras. 

"nos mocambos de hoje
germina a resistência
do amanhã"

3. Nos versos abaixo, quais palavras relacionam-se as esferas da arte / literatura?

"grafitando nos
muros, poemas
da nossa virada

declamando ação,
sacudindo vozes

e na espreita das ruas
ecoam as rimas
num versar ritmado de redenção!"

4. O poema apresenta a função da arte na vida das crianças. Justifique essa afirmação com suas próprias palavras e com fragmentos retirados do poema. 

GABARITO E CRITÉRIOS DE CORREÇÃO

1. Qual é o contexto descrito nas primeiras cinco estrofes do poema? O que o autor pretende dizer com as expressões "beiradas" e "céu cinzento"?

Resposta esperada:
O contexto descrito no início do poema é de opressão, dureza e abandono social na periferia. Com a palavra "beiradas", o autor faz referência direta às margens da cidade, ou seja, à periferia física e social. A expressão "céu cinzento" funciona como uma metáfora para a falta de perspectivas, a tristeza, a poluição urbana e a rotina pesada e repetitiva ("há tempos que...") enfrentada pelos moradores dessas regiões.

Critério de correção: O aluno deve identificar o cenário periférico e demonstrar que compreendeu o sentido metafórico de "beiradas" (margens/periferia) e "céu cinzento" (tristeza/ausência de oportunidades/dureza do cotidiano).

2. Podemos afirmar que houve mudança na perspectiva nos versos abaixo? Por quê? Explique-os com suas próprias palavras.
"nos mocambos de hoje / germina a resistência / do amanhã"

ENTRE para o grupo!

Resposta esperada: Sim, há uma clara mudança de perspectiva. O poema deixa de focar apenas no sofrimento e no silêncio do passado ("cidade açoitada em silêncio") e passa a focar na esperança e na força ativa da comunidade. A expressão indica que, mesmo em condições adversas (representadas pela palavra histórica "mocambos"), a comunidade periférica está plantando e cultivando ("germina") a força, a união e a luta ("resistência") que transformarão o futuro ("do amanhã").

Critério de correção: O estudante precisa responder que "sim" e justificar apontando a transição da postura de passividade/sofrimento para a de ação/esperança/luta futura.

3. Nos versos abaixo, quais palavras relacionam-se às esferas da arte / literatura?
"grafitando nos / muros, poemas / da nossa virada / declamando ação, / sacudindo vozes / e na espreita das ruas / ecoam as rimas / num versar ritmado de redenção!"

Resposta esperada: As palavras são: grafitando, poemas, declamando, vozes, rimas, versar e ritmado.

Critério de correção: O aluno deve listar a maior parte ou a totalidade dos termos do campo semântico da arte/literatura presentes no trecho. Menções a expressões completas (como "versar ritmado") também devem ser aceitas.

4. O poema apresenta a função da arte na vida das crianças. Justifique essa afirmação com suas próprias palavras e com fragmentos retirados do poema.
Resposta esperada:
No poema, a arte funciona como uma ferramenta de transformação social, resgate histórico e devolução da dignidade para os jovens da periferia. Ela deixa de ser apenas contemplativa e passa a ser uma forma de dar voz e orgulho a quem é silenciado.

Fragmentos que justificam: 
"autoestima se firma / no olhar da mulecada" (mostra o impacto psicológico e social positivo);

"vejo uma trilha / sedenta de história / é batuque..." (mostra a conexão com as raízes culturais);

"grafitando nos / muros, poemas / da nossa virada / declamando ação, / sacudindo vozes" (mostra a arte como expressão de ativismo e mudança de realidade).

Critério de correção: A resposta é considerada correta se o aluno conseguir explicar a função social/identitária da arte na periferia (como aumento da autoestima ou conscientização) e obrigatoriamente trouxer pelo menos um fragmento textual entre aspas que comprove sua afirmação.

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