Carnaval - Atividade ensino médio - Denotação e conotação - Conto Restos do Carnaval - Clarice Lispector - Plano de aula PDF
Este plano de aula é uma sugestão prática para trabalhar conotação e denotação no Ensino Médio, articulando análise linguística e literatura a partir do conto Restos de Carnaval, de Clarice Lispector. A proposta, desenvolvida apenas com lousa e caderno, parte da contextualização da narrativa e avança para a exploração de fragmentos que permitem diferenciar sentido literal e figurado. Ao longo da aula, são mobilizadas habilidades de interpretação textual, identificação de recursos expressivos e compreensão da linguagem em uso, promovendo uma abordagem integrada e significativa entre gramática e leitura literária.
🟣 CONTEXTUALIZAÇÃO INICIAL
Explique o enredo antes da análise.
Inicie apresentando brevemente a autora e sua característica introspectiva. Em seguida, explique o conto em três momentos para que os alunos compreendam o contexto geral antes da análise dos fragmentos.
✔ Início do conto:
A narradora adulta relembra sua infância no Recife e a expectativa intensa que sentia com a chegada do carnaval. Embora participasse pouco da festa, vivia internamente uma grande emoção. O carnaval representava promessa de transformação, encantamento e possibilidade de ser outra pessoa.
✔ Meio do conto:
Em um determinado ano, surge a oportunidade inédita: ela finalmente ganha uma fantasia de rosa, feita com sobras de papel crepom. Esse momento representa a realização de um desejo profundo. No entanto, no auge da expectativa, a mãe da menina piora de saúde, e ela precisa sair às pressas para comprar um remédio, ainda vestida de fantasia. A alegria entra em choque com a realidade.
✔ Final do conto:
Após o susto e a tensão, algo muda dentro da personagem. Ela sente que perdeu parte do encantamento — “alguma coisa tinha morrido”. Contudo, no final da noite, um gesto simples de um menino que joga confetes sobre seus cabelos devolve simbolicamente sua identidade: ela volta a se sentir uma rosa. O conto encerra com essa ambiguidade entre perda e reconhecimento.
Finalize a contextualização destacando:
O carnaval, no conto, é mais do que festa. Ele simboliza transformação, frustração, amadurecimento e descoberta da identidade.
Referência bibliográfica
Escreva na lousa para registro:
LISPECTOR, Clarice. Restos de Carnaval. In: Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
🟣 CONCEITOS PARA REGISTRO NA LOUSA
Escreva e peça que os alunos registrem:
Denotação → uso da palavra em sentido literal, objetivo.
Conotação → uso da palavra em sentido figurado, simbólico, dependente do contexto.
Explique brevemente que textos literários utilizam amplamente a conotação para construir significados mais profundos.
🟣 DENOTAÇÃO OU CONOTAÇÃO?
Explique aos alunos que os fragmentos abaixo foram retirados do conto Restos de Carnaval, de Clarice Lispector, já contextualizado anteriormente.
Escreva na lousa:
“Mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia.”
“Desci até a rua.”
“Como se o mundo se abrisse em grande rosa escarlate.”
“Alguma coisa tinha morrido em mim.”
“Eu era, sim, uma rosa.”
Oriente os alunos a classificar:
(D) Denotação
(C) Conotação
🟣 INTERPRETAÇÃO DE FRAGMENTOS
Agora aprofunde a análise. Escreva um fragmento por vez e conduza a discussão.
Fragmento 1
“Alguma coisa tinha morrido em mim.”
Pergunte:
O que simbolicamente “morreu”?
Esse trecho indica perda física ou emocional?
Que relação esse momento tem com o amadurecimento da personagem?
Fragmento 2
“Eu não era uma flor, era um palhaço pensativo.”
Pergunte:
O que “flor” representa no conto?
O que significa ser um “palhaço pensativo”?
Como essa imagem revela conflito entre aparência e sentimento?
Fragmento 3
“Eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava feliz.”
Pergunte:
Que tipo de sede é essa?
O que isso revela sobre a carência afetiva da personagem?
Como essa frase ajuda a compreender a intensidade emocional da infância narrada?
🟣 FECHAMENTO
Finalize solicitando que os alunos respondam no caderno:
No conto, o que a personagem aprende ou sente ao final do carnaval?
Em seguida, peça que expliquem:
Escolha um dos fragmentos analisados e diga por que ele está no sentido figurado.
Oriente os alunos a escreverem respostas claras e diretas, relacionando o fragmento escolhido ao contexto da história.
Após o registro, peça que alguns leiam suas respostas e complemente quando necessário, reforçando a diferença entre denotação e conotação.
AVALIAÇÃO
Durante a aula, observe se os alunos:
Diferenciam sentido literal e figurado.
Classificam corretamente os fragmentos.
Conseguem explicar, ainda que de forma simples, por que determinado trecho é conotativo.
Demonstram compreensão básica do enredo ao responder à questão final.
A avaliação pode ser formativa, baseada na participação, nas justificativas orais e no registro escrito no caderno.
GABARITO
🟣 DENOTAÇÃO OU CONOTAÇÃO?
“Mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia.”
➡ (D) Denotação
Ação concreta, literal.
“Desci até a rua.”
➡ (D) Denotação
Ação objetiva, sem sentido figurado.
“Como se o mundo se abrisse em grande rosa escarlate.”
➡ (C) Conotação
O mundo não se transforma literalmente em rosa. A imagem simboliza encantamento, explosão de alegria e expectativa.
“Alguma coisa tinha morrido em mim.”
➡ (C) Conotação
Não há morte física. Representa perda da ilusão, frustração ou amadurecimento.
“Eu era, sim, uma rosa.”
➡ (C) Conotação
A personagem não é literalmente uma flor. A rosa simboliza reconhecimento, identidade e encantamento.
🟣 INTERPRETAÇÃO
Fragmento 1:
“Alguma coisa tinha morrido em mim.”
✔ O que morreu simbolicamente?
A ilusão, o encantamento ou a expectativa infantil.
✔ Perda física ou emocional?
Emocional.
✔ Relação com amadurecimento?
Marca um momento de decepção e crescimento interior.
Fragmento 2:
“Eu não era uma flor, era um palhaço pensativo.”
✔ “Flor” representa:
Beleza, sonho, fantasia, encantamento.
✔ “Palhaço pensativo” significa:
Contraste entre aparência alegre e tristeza interior.
✔ Conflito revelado:
A personagem percebe que não vive plenamente a alegria do carnaval.
Fragmento 3:
“Eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava feliz.”
✔ Tipo de sede:
Sede emocional, desejo intenso de alegria e reconhecimento.
✔ O que revela:
Carência afetiva e sensibilidade.
✔ Compreensão da infância:
Infância marcada por intensidade emocional e desejo de pertencimento.
🟣 FECHAMENTO – POSSÍVEL RESPOSTA
Pergunta:
No conto, o que a personagem aprende ou sente ao final do carnaval?
Resposta esperada:
Ela percebe que a alegria é frágil e que a vida inclui frustração. Ao mesmo tempo, aprende que pequenos gestos podem restaurar sua identidade e seu encantamento.
Pergunta:
Escolha um fragmento e explique por que está no sentido figurado.
Resposta modelo:
“Alguma coisa tinha morrido em mim” está no sentido figurado porque não houve morte física, mas sim perda emocional.
